10 de abril de 2010

O Milagre da Vida

Na perspectiva cristã está errado dizer que Deus “intervém" na natureza, porque Deus não está isolado hermeticamente da criação, mas Sua realidade abarca-a e transcende-a

O físico e teólogo anglicano John Polkinghorne consegue colocar de forma muito acertada:

Se existem coisas como milagres, são raros, eventos únicos, que é exatamente o tipo de coisa que a ciência não está configurada para falar. Portanto, o problema dos milagres é um problema teológico. É uma questão de coerência divina. Deus não está condenado a nunca fazer nada de diferente, mas quando Deus faz algo diferente, deve ser em uma consonância, alinhado em relação às coisas que Deus tem feito antes. Portanto, eu acho que o mais fácil milagre cristão a acreditar no momento é a ressurreição de Jesus. Se você acredita que Deus estava fazendo uma coisa nova em Jesus, então é apropriado que uma nova atividade acompanha esse ato.

Um milagre não acontece apenas para facilitar a vida, sem qualquer custo para a vida real. Eu acredito que Deus interage com a história. E eu acredito que Deus influencia a história e a guia e fortalece os seres humanos e sua ação na história. Isso é a chamada a providência de Deus. Um milagre é algo mais do que excepcional em tudo.

Eu penso que Deus age dentro da textura aberta da natureza. Assim como nós agimos dentro dela em pequenas formas, Deus age de formas maiores, tal qual algo tipo ocultado - porque a textura aberta da natureza vem destas imprevisibilidades intrínsecas, por isso nunca consegue calcular quem está fazendo o quê nestas coisas.

Mas depois há a questão de saber se Deus faz algo novo, e esse é o problema de um milagre. O cristianismo não pode escapar do problema de um milagre, pois parece-me que a ressurreição de Cristo é tão importante para ele. Se validamente não foi ressuscitado dentre os mortos, a vida de Jesus termina em fracasso extremo.


Tenhamos um momento de inspiração com essa bela canção dos músicos excepcionais Stênio Marcius e Silvestre Kuhlmann.

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